Caracterização do Problema

Dados do Censo Agropecuário de 2006 indicam que a área de pastagem cultivada no Brasil corresponde a cerca de 106 milhões de hectares. O fato da pecuária brasileira ser desenvolvida predominantemente em pastagens, a degradação dessa, tem sido um empecilho para o setor, causando prejuízos econômicos e ambientais [1]. As causas de degradação variam com cada situação específica em cada bioma e podem ser classificadas em: práticas inadequadas de pastejo e manejo, falhas em seu estabelecimento, fatores bióticos e fatores abióticos.

O cenário futuro aponta para um aumento significativo na produção brasileira de carne bovina. Pressões internas e externas serão cada vez maiores  para que a carne produzida no Brasil se adéqüe às exigências de qualidade e origem do produto. A base dessa modernização deverá ser o melhoramento das pastagens, através da reutilização das áreas onde a cobertura vegetal original foi erradicada. A recuperação de pastagens degradadas deverá ter papel decisivo nesse processo de modernização, tornando possível o aumento da produção, sem promover a expansão das áreas de pastagem via desmatamento. Assim, a recuperação de áreas degradadas, deve ser prioridade no setor pecuário. [1], [2], [3], [4].

Quando se trata de grandes áreas, e principalmente de difícil acesso, a disponibilidade de dados é escassa e a realização de novos levantamentos de campo ou expansão da rede de monitoramento é onerosa. Face à dimensão continental do Brasil, o levantamento de dados em campo pode vir a ser bastante oneroso, necessitando de informações geradas a partir de dados geoespaciais, os quais têm relativamente baixo custo de aquisição e podem ser disponibilizados quase em tempo real. Desta forma, o geoprocessamento tornou-se uma importante ferramenta para espacializar e monitorar os recursos naturais e as atividades antrópicas [5]. A identificação e o monitoramento dos processos de degradação de pastagens em escalas regionais e nacionais são necessários para dimensionar, de forma ampla e eficiente, a magnitude do problema e com isso subsidiar as políticas públicas nas tomadas de decisões sobre a recuperação, o manejo e o uso dessas terras [6].